Robbie Jacks


Estive numa relação abusiva com o ano de 2018. Ele me bateu, me quebrou, me roubou dinheiro e tirou de mim a pessoa mais importante da minha vida. 2018 me tirou literalmente o chão. 
Mas também me deu um teto, trouxe amigos, alegrias e renovação. 
Me forçou a ser forte, me obrigou a carregar pedras, me empurrou do abismo e me fez criar asas. 
2018 me jogou no poço, mas tinha um airbag no fundo. Amorteceu a queda. 
Aprendi este ano que a gente só pode contar com a gente mesmo, mas também podemos pedir ajuda que ela vem. 
Este ano me forçou a dobrar os joelhos e pedir misericórdia. 
E me ensinou a enxergar a mão de Deus nas pequenas coisas. 
E me ensinou a agradecer, agradecer sempre, porque poderia ser bem pior. 
2018 reforçou a lição que venho aprendendo a duras penas: 
Meu maior aliado é Deus. 
Minha força vem Dele. 
Se estou viva hoje, depois de passar pelo pior dia da minha vida, é porque Ele permitiu.
Eu não queria sair de 2018, a verdade é essa. Tenho muito medo de 2019. Mas, se tem mais uma coisa que aprendi esse ano, e que virou meu mantra, é que “não tem outro jeito”. 
A vida segue. 
As coisas acontecem. 
A roda gira. 
E a Robbie se vira. 
Quem acompanha meu feed, não faz ideia do que passa “nos bastidores”. E eu prefiro desse jeito.
Quem me vê, me vê sorrindo, e espero que sempre seja assim.
Robbie Jacks



Foi o que você falou para mim hoje, mãe. Esse não foi um sonho como aqueles em que te sinto aqui, bem pertinho, mas mesmo assim foi intenso.

Você havia voltado do mundo dos mortos e queria saber como estavam as coisas. Parecia desnorteada, como se houvesse se desplugado da vida real por um ano inteiro e agora voltava, ainda incerta. Expliquei que papai estava cuidando de tudo, cuidando da gente, mas você não relaxava. Queria saber tintim por tintim o que estava acontecendo. Sabia que eu estava escondendo alguma coisa.

Sim, mãe, eu tinha um segredo. Eu estava de partida. Você não gostou da ideia, quis ver os documentos, brigou com o juiz, tentou desfazer o que já havia sido feito, mas eu te acalmei. “Era o mais justo, mamãe”, eu repetia. Aí você congelou novamente, como naquela noite em que te encontrei sem vida no chão da sala.

“Ah, não”, meu coração gemeu. Repousei a mão em seu ombro e apertei de leve, procurando a vida em seu corpo. Você arregalou os olhos ao meu toque.

“Desculpa, esqueci de desmorrer”, você me disse, com um rápido espasmo atravessando seu corpo. Meu coração afrouxou de alívio. Ela ainda estava aqui.

Te peguei pela mão e corri contigo para mostrar minha casa nova, improvisada num galpão no meio de um grande e verde quintal. Você quis saber o porquê. Te expliquei que era o mais justo, e que eu estava feliz. Muito feliz. O barrigão de 6 meses à mostra era a primeira imagem que eu quis que você tivesse quando abrisse os olhos. A decoração artesanal, o cheiro de mato fresco e o outono que se aproximava coloria de alegria esse meu sonho. Você só observava, um pouco menos receosa, talvez já se deixando contagiar pela minha empolgação. Talvez tivesse desacostumado com o lado de cá, talvez só quisesse ter certeza de que eu sabia o que estava fazendo. Eu sabia, mãe.

Esse não foi um dos sonhos em que me senti eu mesma conversando sobre minha vida real contigo, mas significou muito pra mim. Nele, você parecia desnorteada, como se houvessem te desplugado e só agora tivesse voltado para saber se está tudo bem. Mas nossa relação não é assim.

Você é a voz no meu ouvido dizendo “vai com calma”
.
Você é a bronca no final de uma briga “mas você é teimosa, hein?”

Você é o alento depois de um dia difícil “shhhh, passou, passou, Petinha”

Você é meu compasso moral quando minha educação falha “que vergonha, Roberta, não foi assim que te ensinei”

Você é meu incentivo quando quero desistir, mas não desisto “viu, filha, não falei que você ia conseguir?”

Você é meu desejo de bom dia, o último canto de boa noite

Você é meu coro quando alguma coisa, que não parecia que ia dar errado, dá errado “ai, minha mãe do céu”

Você é o vozeirão que me chama de volta
quando estou perdida

Você é aquela que faz sair da minha zona de conforto, que me empurra pro mundo, que me lembra de não depender de ninguém

Você é para quem dedico todas as minhas vitórias, quem acalenta todos os meus prantos, quem torce e briga e ama e cuida e apronta das suas aí de cima pra me ajudar

Você é minha intermediária com Deus, para quem eu rezo, rogo, peço e imploro, do mesmo jeito que eu fazia quando era pequenininha

Você é a mãe que sempre sonhei ter, e a que hoje só tenho nos sonhos. Obrigada por ter compartilhado 20 anos de sua vida comigo, e por acompanhar o resto da minha daí de onde você está. Eu sei porque você quis desmorrer por mim no dia de hoje. Quantas vezes eu já quis desviver para atravessar essa barreira invisível que nos separa e te abraçar, deitar a cabeça no seu colo e te implorar para nunca mais me deixar sozinha? Eu não sei por que não posso, mas você sabe. Você sempre soube mais do que eu. Por isso é que é minha mãe. Você sempre sabe o que fazer.

Obrigada por ainda existir.
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