Robbie Jacks
Isso não é algo que eu faça, ainda mais aqui no meu blog mas, quando vi este texto, não pude ficar alheia: é perfeito. Droga, Caio F. Abreu, por escrever este texto antes de mim. Eu o tinha pronto, em sentimentos dispersos, mas ele estava ali. Só precisava sair.

Agora, saia você da minha mente, viu?







Podia ser só amizade, paixão, carinho, admiração, respeito, ternura, tesão. Com tantos sentimentos arrumados cuidadosamente na prateleira de cima, tinha de ser justo amor, meu Deus?

Porque quando fecho os olhos, é você quem eu vejo; aos lados, em cima, embaixo, por fora e por dentro de mim. Dilacerando felicidades de mentira, desconstruindo tudo o que planejei, Abrindo todas as janelas para um mundo deserto.

É você quem sorri, morde o lábio, fala grosso, conta histórias, me tira do sério, faz ares de palhaço, pinta segredos, ilumina o corredor por onde passo todos os dias.

É agora que quero dividir maçãs, achar o fim do arco-íris, pisar sobre estrelas e acordar serena.

É para já que preciso contar as descobertas, alisar seu peito, preparar uma massa, sentir seus cílios.

“Claro, o dia de amanhã cuidará do dia de amanhã e tudo chegará no tempo exato. Mas e o dia de hoje?” Não quero saber de medo, paciência, tempo que vai chegar.

Não negue, apareça. Seja forte.

Porque é preciso coragem para se arriscar num futuro incerto.

Não posso esperar. Tenho tudo pronto dentro de mim e uma alma que só sabe viver presentes. Sem esperas, sem amarras, sem receios, Sem cobertas, sem sentido, sem passados.

É preciso que você venha nesse exato momento.

Abandone os antes. Chame do que quiser. Mas venha.

Quero dividir meus erros, loucuras, beijos, chocolates…

Apague minhas interrogações.

Por que estamos tão perto e tão longe?

Quero acabar com as leis da física, dois corpos ocuparem o mesmo lugar!

Não nego. Tenho um grande medo de ser sozinha.

Não sou pedaço. Mas não me basto.


- Caio Fernando Abreu

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Robbie Jacks


"the shadows in your life have disappeared. Now, with my love comes the sunshine. Let your heart open and you will receive it...the passion of life... the gift of freedom"





—Amor, compra uma água pra mim?

A viagem não havia sido das melhores. Cansado, nem percebeu a parada no posto de conveniência, onde as castanhas mais carameladas que já comera repousavam em seu jarro, à espera de clientes ávidos como ele.

A volta àquele lugar era doce e amarga. Durante todo o tempo que esteve fora, desejou correr aquela estrada, parar naquele posto, chegar naquele paraíso. Mas algo estava fora de ordem.

—Nossa, que dia lindo, amor, vem ver!! Vamos pra praia logo, antes que o mundo acorde!

O lugar realmente era de uma beleza indescritível. Só agora, no entanto, podia ver com nitidez full HD todos os tons que pintavam a paisagem: do verde-azul que fundiam céu e mar ao vermelho-vivo das esculturas de barro enfileiradas na areia, que agradeciam o bom tempo para enfeitiçar os turistas.

Da outra vez que respirou esse ar, era tudo tão monótono, tão cinza, que ele se sentiu rejeitado. "Não se atreva a voltar aqui!", urravam as rajadas de vento e chuva que pareciam querer expulsá-lo dali. Mas, com a fé inabalada pela má recepção, decidiu voltar no ano seguinte. E o tempo bom o acolheu. Foi amor à segunda vista.

Mas nem tudo estava perfeito.

—Amor, cê conhece sorvete de cupuaçu? É uma delícia!

Sim, ele conhece. Aliás, ele já foi apresentado a quase tudo. Com bom ou mau tempo, já havia estado ali antes e, chegou à conclusão, havia sido perfeito. Da outra vez, o tempo estava péssimo, a comida fez mal, e o serviço de quarto era de uma incompetência ímpar mas, mesmo assim, não podia ignorar o sentimento. Mesmo com sol, mar e macaquinhos dançando alegremente, a peça que lhe faltava hoje havia estado lá anteriormente. E havia sido perfeito.

Esse era um erro que estava constantemente cometendo. Ele queria acertar, ou melhor, queria que as coisas fossem acertadas por ele. Por isso, tentou substituir a peça ideal por outra menos complexa em todos os quebra-cabeças de sua vida. Como um designer indeciso, testou seu manequim de papelão em diversos cenários. Posicionou-a ao lado de seus amigos na mesa do bar. Abraçou-a elegantemente na foto para a mãe. Ajeitou-a com esmero embaixo de suas cobertas. Não encaixou.

Por último, como se desse de ombros para os sinais, levou seu pôster em tamanho real para o cenário onde sua procura outrora havia terminado. O lugar onde descobriu exatamente por que dizem que viver não tem sentido se as experiências não puderem ser partilhadas com outra pessoa. O lugar onde ouviu que Ela o esperaria o tempo que fosse, desde que pudessem ficar juntos novamente. O lugar onde ele ficou de buscá-la.

Demorou-se longamente, ponderando se valia a pena. Olhou para a direita, olhou para a esquerda, pensou em recuar e lhe sussurraram que deveria ficar parado. Mas ele não deu ouvidos. E ali, naquele lugar que a ninguém mais pertencia além deles, tomou o rosto da outra, da Srta. Genérica, e a beijou. O céu não estremeceu, ninguém o castigou. Mas o que era esperança, virou pó. E o sagrado virou profano.

Hoje ele exibe, para quem quiser ver, a captura daquele momento, a prova irrefutável dos beijos partilhados e do momento dividido com a pessoa errada, com seu esboço de mulher. Dois pedaços de quebra-cabeças diferentes, juntos, formando uma figura pitoresca, grosseira. Mesmo lugar, mesma pose, mesmo sorriso. Só que com outra. Profano.
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