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[Quarta-feira, Janeiro 25, 2012] ![]() Meant No momento em que meus olhos cruzaram com os seus, nós sabíamos. Sorrisos de cumplicidade, não havia nada a dizer. Tudo sincronizado, tudo esperado, nem uma palavra dita. Era pra ser. O choro, necessário, era programado, já estava para acontecer. Dei início à minha parte, mas faltava você. Em pensamentos já estávamos juntos, cumprindo o que a profecia soprou em nossos ouvidos ainda no berço. Não havia como fugir, nem queríamos isso. O tempo que levou era o tempo a se levar. Novas estruturas se formaram. Novos entendimentos foram aprendidos. O mesmo desejo, renovado. O passado recolhido, em toda a sua dificuldade. O presente é mero passatempo para o verdadeiro destino, o futuro esperançoso. Hora de viver o sonho prometido. Já estava combinado. Só falta você. Marcadores: Divagâncias por Robbie Jacks * 6:18 AM | [Segunda-feira, Dezembro 26, 2011] ![]() Why so curious? por Robbie Jacks * 10:57 AM | [Terça-feira, Outubro 04, 2011] O Fim O dia amanheceu, abri os olhos, me espreguicei, olhei em volta, tudo normal. Me levantei, escovei meus dentes (embora não saiba por que diabos as pessoas escovam os dentes ANTES de comer, mas enfim...) escovei meus dentes, fiz meu café, abri o jornal. Tudo igual. Senti falta de algo. Quer dizer, falta não era bem a palavra, mas eu sabia que algo estava ausente. Tudo normal, tudo igual, só que gostoso, diferente do cinza-bolor de ontem (mas eu não havia percebido isso). Continuei meu dia e experimentei sensações há muito esquecidas. Havia um novo sabor no arroz do almoço, ou talvez o velho sabor de volta. A programação da televisão, desta vez, estava muito mais agradável. Ouvi o canto dos pássaros, por mais piegas que possa parecer, e me perguntei por que os pássaros se silenciaram por tanto tempo. Aquele sábado estava anormalmente leve. Como acometida por uma súbita amnésia, ou talvez meus sentidos estivessem mais, digamos, sensíveis, tudo me parecia confortavelmente familiar, como se estivesse voltado para casa depois de uma longa e cansativa viagem. De repente, como vítima de transe, uma palavra me fez sentir novamente o que estivera felizmente ausente naquele sábado diferente. A dor, aquela que tanto me apertou, que me jogou para o fundo do ralo do fundo do poço, não estava mais lá. Depois de me triturar com suas garras feitas de lembranças e sentimentos doentios, ela se tornou uma ingrata companheira, uma dedão inchado que cismava de pulsar dolorosamente cada vez que encostado. Eu, infeliz hospedeira dessa dor malvinda, me acostumei a carregá-la comigo, e ela fazia questão de sugar cores, cheiros e sabores da minha vida. No dia em que acordei e ela não estava mais lá não houve comemoração, fogos de artifício ou champagne para estourar. Houve apenas a certeza de que sou muito mais forte do que jamais pude imaginar e a constatação de que, realmente, tudo vai passar. O fim mais feliz é o que encerra a escuridão. E veio o amanhecer, com seu novo Recomeço. Marcadores: recomeço por Robbie Jacks * 5:14 AM | [Sábado, Março 12, 2011] À Espera![]() "I promise you kid, I'll give so much more than I can get I just haven't met you yet" Dessa, ninguém escapa. Longa, penosa, sofrida. Todos a rejeitamos, todos a recebemos. Não há saída. Não adianta cruzar os braços, fazer bico, abrir o berreiro. Eu, você, seu vizinho barulhento: todos nos renderemos à ela. Dizer que não quer, que não aceita, também não adianta. Simplesmente não funciona. Mais cedo ou mais tarde, todos seremos obrigados a pegar nossos banquinhos e sentarmos lá com a Cláudia. Quem vive, espera por definição. Não dá pra fugir. Pense na alternativa. Só há uma. E ela é muito, digamos, "final", se é que você me entende. É desesperador no começo, desolador no meio, e entediante no final. Pois a espera só acaba quando você pára de pensar nela. Note bem: você nunca deixa de esperar- você apenas se acostuma a esperar, entra no piloto automático da vida. Esta é a pior maneira de viver, mas fazer o quê? Este é o estado conformador da espera, também não dá para escapar. Então posso sugerir? Olhe pela janela e aprecie a paisagem, ou leia um bom livro. Quer você definhe por causa dela, quer você se distraia, ela não está nem aí. Porque a espera simplesmente não tem pena de suas vítimas. Mas pode ter certeza: um dia, ela acaba. Seja pela morte dela ou pela sua mesmo. Marcadores: Divagâncias por Robbie Jacks * 1:08 PM | [Quinta-feira, Fevereiro 10, 2011] ![]() À Tudo Que Não Vejo Existem certas Coisas As quais não podemos ver Eu gostaria de dizer para elas Que eu as sinto. E talvez as sinta mais Por não poder vê-las Elas me metem mais medo Pois só posso imaginá-las. Nem a grandeza Nem a simplicidade: Seu tamanho, cor, forma, Cheiro, textura, periculosidade São criados pela minha própria mente Tudo fica escuro de repente E não vejo nada Além de meus próprios fantasmas. Será que é assim com todo mundo? Você tem medo do que não pode ver? Você quer ver o que não deveria ver? E, se vê, desejou nunca ter visto? Às Coisas Que Não Posso Ver Mando um breve aviso Vocês são piores do que imagino, eu sei É sempre assim, eu sei que são Portanto, fiquem escondidas Não quero saber de vocês E quero menos ainda que saibam de mim Ouvi dizer Que o essencial é invisível aos olhos Mas não deveria jamais ser. Pois os olhos que de fato enxergam a essência São sensíveis demais Descobrem detalhes ínfimos Magoam-se com a mais leve vibração contrária Ferem-se com a mais sutil das insinuações Completam o quadro com férteis delírios Conjuram meu pior pesadelo. E tudo aquilo que você não deveria ver Ele inventa Em tudo aquilo que você não deveria sentir Ele te sufoca Mesmo que os olhos estejam vendados Mesmo que o corpo esteja cansado Eu vejo, Sinto, Invento, Dói. Marcadores: Divagâncias por Robbie Jacks * 3:07 PM | [Segunda-feira, Janeiro 17, 2011] ![]() A Viagem Que espécie de espírito tacanho se apossa dos céus ao promover o encontro entre duas pessoas tão gastas da vida? Ela chegou com um estrondo. Nervosa, quase animada, vigiava o relógio da estação, e não via a hora de embarcar. Em suas costas, carregava uma mochila sem grandes atrativos, a não ser pelo volume que contrastava com seu torso esguio. Redondinha, a mochila parecia lotada, o zíper quase não fechava, mas ela a carregava com tanta facilidade que podia-se jurar que continha nada mais que tufos e mais tufos de algodão. Ele chegou manso, murcho, não por uma atitude soturna pensada, mas pelo peso de sua mala gigante, sóbria e marrom, dessas que se vê em filmes de 1930. Com um esforço contínuo e meticuloso, caminhava a passos lentos, quase como se não quisesse andar, ou se achasse inútil gastar seus passos com aquele peso todo o segurando. Distraída pela ansiedade e pela procura do exato ponto onde embarcaria, ela não viu o trambolho marrom em seu caminho, segurado pelo menino do semblante triste. Um tropeção, um palavrão, mil desculpas, e uma mão que quase larga a mala gigante: foi o que bastou para abrir um sorriso no rosto dos dois. Mas não era para ter acontecido. Quer seu ônibus tivesse atrasado só um pouquinho, ou o catchup do sanduíche sujado sua blusa, não estariam ali, cara a cara, ou melhor, sorriso a sorriso, descobrindo-se cada vez mais iguais. Ah, o destino! Esse, que brinca com as nossas vidas e nos faz acreditar que, enfim, o calvário terminará, ou talvez, a nuvem se dissipe e dê praia no domingo... Ele também é responsável direto pelas maiores charadas e decepções sobre a face da Terra. À medida que se conheciam, cada vez mais nossos jovens e intrépidos amigos se perdiam. Ele, que quase largou a mala (e esse quase é de extrema importância para esta história, prestem atenção!), percebeu que, passado o momento de euforia, não conseguia mais soltá-la. Desistiu de tentar. Arrastou a bagagem marrom-cocô para frente de si, criando uma muralha que intimidou a mocinha da mochila. Ela notou seu olhar cansado, suas mãos que pareciam calejadas da vida. Era tão novo, meu Deus, por onde andara esse menino? Embora seu falar fosse otimista, notou que lhe faltava o entusiasmo na voz, o viço da ingenuidade não transparecia mais em sua pele. Tinha visto muita coisa, concluiu ela, seria possível recomeçar? Neste momento, a menina amaldiçoou sua sorte. Por que lhe cruzaria o caminho justamente um homem com uma estrada mais longa que a dela, um ex-prisioneiro de guerra recheado de cicatrizes e coberto de pele dura feito couro de jacaré? Sua mochila começou a pesar. Não queria que sua trouxa se apercebesse do que sentia, supôs que poderia viajar sem lhe dispensar atenção. Mas, como um ser subitamente animado, a mochila começava a lhe derrubar os ombros, fazendo-se notar, puxando-a para baixo. Pediu licença ao moço, que já nem parecia notá-la pois, absorto em seu próprio ponto de partida, alisava uma fina linha dourada que o ligava à mala. Sentou-se num dos bancos do terminal, respirou fundo, despiu-se da mochila e a abriu. Estava tudo ali. Nada de novo, apenas todas as coisas que não podia deixar para trás, e mesmo assim se surpreendeu. Seu coração gemeu como um torturado que se apercebe da volta de seu algoz. Tudo tão bem embalado, separado, guardado na esperança de nunca mais ser revisitado ali, aberto novamente, pulsando, vermelho-vivo. O medo da nova jornada a fez se apegar à mochila ainda mais. O apito soou. A hora havia chegado. Levantou-se com dificuldade, colocou a mochila nas costas. Agora pesava demais. É, ainda não conseguiria deixá-la para trás. Olhou para o carinha do malão marrom. Ele também ouvira o apito, e parecia não saber se embarcava ou não no trem. Olhava para o trem e para a mala, como na escolha de Sofia. Quis dizer-lhe que não precisava se decidir naquele momento, olha, eu também levo minha mochila, não fique assim, vai que, no meio da viagem, arrumemos coragem para jogá-las pela janela, eu jogo a minha e você joga a sua, que tal? Mas ela nada disse. Embarcou no trem, escolheu um camarote perto da porta e acomodou sua mochila no bagageiro. Enquanto aguardava o último sinal, colocou mais uma vez nas mãos do acaso o seu futuro, esperando com todas as forças que o destino se encarregasse de fazê-lo entrar na cabine com ela, para que juntos iniciassem o que esperava ser uma longa e feliz viagem. Marcadores: fiction por Robbie Jacks * 3:52 PM | [Terça-feira, Janeiro 11, 2011] If I Still Had FeelingsIf I still had feelings I'd be lying in this bed As the sun begins to rise Thinking about us. If I still had feelings I'd pretend you never left And you'd be right here next to me Lying in this very bed. All the immensity of the sky Wouldn't remind me of us Holding each other and planning On how many more cloud animals We would be making up Together. If I still had any feelings He wouldn't be in my thoughts Although he's finding a little difficult To settle in my heart. I wish it was different I wish this (we?) could be true But it's hard to be honest When I don't have any feelings for you. There's this constant Ache in my heart Of a thought I usually get It's a glimpse of your happy life (and I'm not in it) And you're so oblivious to the fact That I no longer Care. Fantasies are never enough Though now I miss them all For they fulfilled my world Since I can no longer feel it. It's hard to be separated From the one you thought you loved It gets harder some nights But days aren't any easier either This is everything one would feel If there were any feelings left. As I leave for new arms New promises, new tastes A new body and new face I keep thinking about how Unfair life really is To not grant one's wish But to replace it with a new one And make you think it's all OK Because you just can't feel a damn thing Anymore. por Robbie Jacks Marcadores: Divagâncias por Robbie Jacks * 8:27 PM | |