Oi?
Robbie Jacks


How does it feel,
When you're alone, and you're cold inside?




Não me leve a mal, mas estou completamente apaixonada. Pela ideia de você. Não sei seu nome, nem onde trabalha, muito menos se gosta de cachorro ou ouve rock. Mas eu te amo.

Já te vi no nosso apartamento, à noite, depois do trabalho, com as mangas da camisa arregaçadas enquanto faz aquela bolonhesa deliciosa que só você sabe fazer.

Já fomos ao cinema, e você riu de mim quando chorei no fim de Toy Story 3. Mas eu bem peguei uma lagriminha tremendo no seu olho também.

Já nos beijamos debaixo d'agua, já fizemos amor no seu antigo quarto. Você conheceu meu pai e conquistou o velho com chocolate e muito papo sobre o Fluminense.

Viajamos para vários destinos exóticos, e tiramos fotos fazendo caretas engraçadíssimas. Jantamos fora todas as sextas, e alugamos filmes no domingo. Às vezes, deixo você escolher. Mas só às vezes!

Já tivemos conversas sérias sobre o futuro. Você sabe que eu te apoio em tudo, mas vamos manter o pé no chão? Já escolhemos o nome dos nossos filhos, e você me pediu em casamento no Central Park. E agora, mal posso esperar para acordar ao seu lado todos os dias durante o resto de minha vida.

Oi, meu nome é Roberta, e eu já vivi uma vida inteira contigo.
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Robbie Jacks






Dia desses, em debate com a dona de outro coração que passa pelas mesmas agruras que o meu, fui alertada para um fato surpreendente: em qualquer situação da vida, sempre há mais de uma opção.

Enquanto conversávamos sobre a dor que o silêncio causa, ela me propôs a seguinte lógica matemática: Se SILÊNCIO = DOR, logo, CONTRÁRIO DO SILÊNCIO = NÃO-DOR. Fiquei estupefata com tamanha simplicidade. Nunca fui boa de matemática, mas essa equivalência TINHA que estar certa.

Foi então que, agarrada na fé do resultado de nossas contas, peguei o telefone e disquei...

Gente, que burrada! A voz que me atendeu era a dele, sem dúvida, mas estava tão seca e fria que até meu coração congelou. Essa voz em nada lembrava a do meu amor, que sempre me atendia com carinho, e me fazia sentir única no mundo. Como as coisas mudam, eu não entendo.

"E o que você esperava, Mariquinha?", me perguntarão os desprovidos de emoção, os céticos e os ateus. Sinceramente? Eu esperava TUDO. Esperava que o tempo tivesse cicatrizado a dor, e não apagado de vez o sentimento. Esperava que a felicidade, já que não bateu à minha porta, estivesse, pelo menos, a um telefonema de distância. Esperava que fosse ser fácil. Esperava que ele estivesse me esperando.

Mas agora, com a certeza de que tudo o que eu NÃO esperava foi o que justamente aconteceu, descobri que talvez fosse melhor eu não ter descoberto nada. Descobri também que o fundo do poço tem um ralo e, quando coisas muito ruins acontecem uma atrás da outra, a gente murcha tanto que fica pequenininho e acaba escoando por ali. E eu fui parar no fundo do ralo do fundo do poço.

E naquela escuridão, tive a grande infelicidade de constatar que o contrário da dor não é a "não-dor". O contrário da dor é uma dor tão grande que chega a dar saudades da dor que havia antes. Já me falaram que a ignorância é uma dádiva. Pena que eu não levei fé.
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