Robbie Jacks



1. Das atribuições do cargo

  • Fazer programas legais com regularidade
  • De vez em quando esquecer das calorias e se jogar numa cebola do Outback
  • Rir das minhas piadas (com sinceridade, please!) e me fazer rir também
  • Ligar uma para a outra para contar as novidades, desabafar, chorar, ou só para jogar papo fora
  • Concordar quando eu digo que o Michael Jackson está vivo e que o Alejandro Sanz é lindo
  • Ser uma amiga sincera, interessada, que genuinamente se importe com os outros e demonstre isso


2. Das vagas

As vagas, objeto deste Concurso, estão distribuídas por todo o Rio de Janeiro. Não importa onde você more, desde que seja relativamente fácil sairmos sexta à noite para beber um chope.


3. Dos requisitos

São requisitos necessários para a inscrição:
  • Companheirismo- para segurar a barra da melhor amiga nos momentos difíceis
  • Bom humor- porque eu não preciso de amigos emo
  • Reciprocidade- INDISPENSÁVEL para qualquer um que se diga bom amigo
  • Disponibilidade - amigos que nunca tem tempo para o outro não são amigos: há uma carga horária mínima que deve ser cumprida
  • Sinceridade- porque quem se cerca de sorrisos falsos vive numa prisão de dentes amarelos
  • Caráter- mais do que sincero, o cargo pede uma pessoa justa, que não seja filha do Harvey e, sendo assim, tenha apenas 1 "cara"

4. Das Inscrições

Para se inscrever, o candidato poderá mostrar, usando qualquer um dos vários veículos de comunicação disponíveis no mercado, que se importa com a autora. A seleção não é imediata, e pode sofrer alterações. Note-se que alguns canditatos poderão ser escolhidos no primeiro contato. Estes são do tipo "amizade à primeira vista". Isso acontece às vezes. De qualquer maneira, todos os candidatos serão passíveis de admissão, basta preencherem o perfil. Os organizadores deste concurso entendem perfeitamente que a amizade não se compra, não se encomenda, e muito menos se convoca. Mas, como o método tradicional só nos trouxe decepções, duvidamos que, desta maneira, os resultados possam ser piores.

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Robbie Jacks



Era uma vez um reino. Nem bom, nem ruim; nem pequeno, nem grande; nem melhor, nem pior que os outros reinos. Isto se dava porque, naquele reino, reinava uma certa ignorância sobre a existência de outros reinos melhores ou piores, maiores ou menores. Ali, o rei, que também não se considerava nem grande, nem pequeno, com certeza era o melhor para seu povo, pois se preocupava com o bem-estar geral, ajudando, guiando e até dando conselhos, na esperança de obter o melhor de seus súditos. Cada cidadão, satisfeito com as atitudes de seu rei, retribuía também com o seu melhor, garantindo assim a felicidade de todo o reino.

Um dia, um triste e chuvoso dia, o rei recebeu um comunicado de uma terra distante, cujo rei havia sido deposto. Esta cidade passava por um período turbulento e a fama do rei, que já era conhecida por terras além do que a vista podia alcançar, fez com que o povo de lá clamasse por sua ajuda. E ele, sempre muito caridoso, não pôde recusar o apelo desesperado da carta. Convocou todo o povoado e anunciou que teria de partir.

Nem um rosto ficou seco naquela noite. Após o anúncio, todos voltaram para suas casas com o coração pesado de tristeza e dúvidas. Quem garantiria o bom funcionamento do reino agora?

Pela manhã, o Sol nem havia saído, e os arautos do rei já podiam ser ouvidos de ponta a ponta, convocando com suas trombetas estridentes todos os cidadãos para a praça pública. Uma pontinha de esperança surgiu nos corações dos súditos, que pensavam em se tratar da volta de seu líder.

Em poucas horas, todo o povo já havia se reunido no centro da cidade, na frente do palco teatral. Todos se questionavam e conjeturavam sobre o motivo do chamado, até que o burburinho foi interrompido pela voz do mensageiro, que anunciou:

"Sua majestade se foi, e não deixou herdeiros. Portanto, devemos eleger um novo líder. Apresento um candidato, parente distante de nosso querido rei, e vocês decidirão se ele fica."

De trás das cortinas, que velaram inúmeros atores nas peças outrora encenadas naquele palco, surgiu uma criatura muito grande, muito alva, com cabelos que refletiam perfeitamente os raios do Sol. Todos ficaram admirados, pensando em se tratar de algo divino, melhor até que o rei que havia partido. Quando falou, a criatura soou decidida, engajada, disposta a fazer o melhor. E o povo a aceitou.

A vida no reino, no entanto, piorou. O novo rei, tão grande e tão magnânimo à primeira vista, se mostrou mesquinho e errático. Suas ações nunca visavam o bem da comunidade, apenas seu próprio bem-estar e de seus conselheiros. O povo, assustado e revoltado, apelidou a criatura de "a Cousa Loura" que, a cada dia, se tornava mais em mais inchada, peluda, áspera. E loura.

E os dias nunca mais foram de Sol. O tempo feio que pairava sobre o reino refletia o estado de espírito do povoado. Os cidadãos trabalhavam muito e seus esforços não eram reconhecidos. Todas as comemorações haviam sido proibidas pela Cousa Loura. O espírito da ditadura do medo se espalhou pela cidade. O povo passou a ser monitorado por espiões, e tudo o que faziam e diziam era reportado à Cousa, que imediatamente prendia e torturava possíveis rebeldes. O riso e a liberdade foram substituídos pelo ressentimento e censura.

Hoje, cansados dos maus-tratos e da coerção, correm silenciosamente pelas ruelas empobrecidas da cidade boatos sobre uma lenta, mas poderosa, revolução.

E assim, o povo do reino aprendeu sobre a pequenez do ser humano, e entendeu que, às vezes, os melhores atores não são, necessariamente, aqueles que são pagos para entreter.
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