Robbie Jacks

É muito triste começar uma carta sem ter o que dizer. Desculpe se não o acho “Excelentíssimo” nem “Estimado”. É que hoje o vi na tv, esbanjando sorrisos e beijando criancinhas pobres.Sei o quão importante é votar, escolher essa pessoa que vai, de certa maneira, governar minha vida por 4 anos. Eu não discordo não, acho até muito válido o povo participar de uma decisão tão importante. Mas eu sei que, mesmo querendo que você assuma o poder, você vai esquecer de mim. Vai esquecer de todas as novas promessas que fez para acabar com os velhos sofrimentos. Vai esquecer de como chegou aí, das necessidades do povo aqui, e vai governar como se nunca tivesse precisado de nós. Então eu escrevi essa carta para lembrá-lo. Lembrá-lo de que todo mundo, até quem não votou em você, está esperando pelo dia em que não iremos às urnas nos sentindo bobos por eleger alguém que não cumprirá nem metade do que prometeu. Lembrá-lo que você, como líder, deve cuidar desse bem que não se agüenta e extravasa pelas bordas desse Brasil, que é o povo brasileiro.


Quero lembrá-lo, acima de tudo, que esse povo o qual tantos e tantos já passaram por cima, ah,seu Presidente, esse povo ainda ACREDITA! A esperança é a última que morre,não é mesmo? Mesmo quando quem morre primeiro é seu pai,seu filho, seu irmão.... a FÉ, essa danada continua lá, rezando pra que tudo mude. Então, responda-me: vai ser diferente? A nossa fé ainda pode ter esperança?
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Robbie Jacks

Victoria acordou cedo, como há muito não fazia. Desde que a depressão a atacara, sentia-se fraca, sem ânimo nem para levantar da cama. Mas não hoje: este era SEU dia!

Sem nem mesmo tomar seu café-da-manhã, que nós últimos meses consistia em 1 copo de água morna e 1 bolacha d'água, sentou-se no chão do quarto, no meio de dezenas de revistas de fofocas, e começou seu projeto.

Folheava as revistas minuciosamente, pois o resultado tinha que ser perfeito. Após meses de choro, afastamento dos amigos, depressão e uma tentativa de suicídio, sua mãe, tentando aplacar o mau-humor da filha, lhe concedeu passe livre no cirurgião para mudar o que quisesse. Animada, Victória se tornou obcecada pela perfeição física e montava agora, no chão do quarto, seu espelho, a futura Victória. Pernas, seios, barriga, nariz, boca, panturrilhas, foi procurando um a um nos corpos esbeltos exibidos nas poses sensualíssimas das revistas. Recortava e colava com precisão cirúrgica, e com um ânimo sobrenatural. Prestava atenção aos mais ínfimos detalhes, para que nada faltasse à sua linda bonequinha. Até colocou uma pinta no ombro esquerdo, pois achava isso um charme.

No entanto, Victória prestou tanta atenção só aos detalhes que, quando terminou, levou um susto! Sua futura Victória, agora toda montada com as melhores partes do corpo das modelos mais belas, em nada parecia bonita. Aliás, se se parecia com alguma coisa, era com Frankestein, um monstro que havia visto num filme dia desses. Victória não entendeu nada! Como é que se junta tudo que há de mais bonito no mundo e o resultado sai tão feio???

Segundos depois, Victória teve um estalo. Levantou-se lentamente, como se tivesse saído de um transe.Caminhou até seu espelho. Se despiu. Se olhou, de cima a baixo, com a mesma precisão cirúrgica de sempre. Se afastou mais um pouco. Se olhou de novo...

Sua mãe bateu na porta para apressá-la para a consulta. Victória abriu um largo sorriso. Gritou para ela que não precisava mais. As palavras reverberaram em sua mente e agora tudo fazia sentido.

Tinha se visto como um todo, um todo único e natural que sempre seria muito melhor do que qualquer junção de partes.
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