Robbie Jacks
1- Eu AMO meu nome mas, se dependesse da minha mãe, eu me chamaria Concheta Bibbiana, em homenagem aos meus bisavós. Ela só não colocou esse nome horrendo porque imaginou que eu fosse nascer com pele bem escura e o nome não combinaria. É racismo, mãe? É! Mas obrigada, tá? Te amo!

2- Eu AMO Michael Jackson. E Janet. E Backstreet Boys. E 5ive. E NSYNC. E Spice Girls. Meu iPod é, basicamente, uma máquina de música velha. Velha, não, CLÁSSICA! Só tem hits dos anos 70, 80, 90 e 2000.

3- Todo mundo se espanta com a quantidade de anos que passei sentada nas cadeiras da faculdade. São 3 graduações: Pedagogia, Inglês/Literaturas e Jornalismo. Entre Letras e Jornalismo, ainda meti um Mestrado em Literatura Norte-Americana. Agora só falta descobrir como ganhar dinheiro com tanto estudo, mas posso adiantar: ser jornalista é a MELHOR COISA DO MUNDO!

4- Quando me perguntam o que faço da vida, tenho dúvidas se respondo o que realmente faço ou o que gostaria de estar fazendo.
O que realmente faço: sou professora e redatora especial de um site
O que gostaria de estar fazendo: sou colunista e escritora de best-sellers 😜


5- Não pareço, mas sou muito emotiva. Praticamente uma desequilibrada emocional. Bota um velhinho na minha frente, ou um comercial fofinho, ou qualquer coisa relacionada à Disney pra você ver. Eu choro tanto que parece que vou ter uma síncope. Coisa de doido.

6- Dito isto, me emocionam mais os velhinhos do que as crianças ou os bichos. Vejo de boas uma reportagem sobre maus tratos, mas se tiver velhinhos no meio, não consigo nem olhar.

7- Sou uma pessoa muito leal, do tipo que presta atenção aos detalhes dos amigos para criar presentes inusitados. Antigamente, eu pensava que todo mundo era assim, até me dar conta de que a maioria das pessoas que eu conheço são "normais": desligadas, alheias, não se importam em dar um passinho a mais para mostrar interesse. Ficou meio amarga essa parte, né? Enfim, continuo fazendo do meu jeito, não custa nada e me faz feliz.

8- Adoro chupar laranja azeda com sal, e beber refrigerante misturado com cerveja. Meu pai que me ensinou.

9- Odeio dirigir. O único carro que tive foi em 2005, e me deu tanto trabalho que me livrei dele um ano depois. Desde então, faço a Angélica e vou de táxi.

10- Sou conhecida por "amar" muitas coisas, mas sou mais conhecida por "odiar" coisas. Não vou negar, adoooro implicar!

11- Tenho medo de Uber. Na real, tenho medo de serial killers, serial rapists e malucos em geral. Fico imaginando como me comportaria se o motorista fosse um desses: teria coragem de matá-lo? Conseguiria abrir a porta do carro em movimento? E se eu cortasse a garganta dele, como eu assumiria o volante? Vê-se que eu amo filmes, séries e livros sobre os temas, né? Agatha Christie e Conan Doyle são meus reis.

12- Ainda não realizei meu sonho de ir à Disney por falta de companhia.

13- Eu cozinho muito bem. Quando me dá na telha, faço quitutes maravilhosos. Só não gosto de fazer "coisas grandes", tipo carnes inteiras, coisas que vão na panela de pressão ou que ficam hoooras no forno. Gosto de praticidade. Meu sonho é ter uma cozinha bem bonitinha para gravar tutoriais de receitas. Te cuida, Ana Maria Braga!

14- Acredito piamente em espíritos, em mundo paralelo, em mágica, no poder da mente, essa parada toda. Aconteceram coisas surreais demais na minha família para que eu duvide. Pra você ter uma ideia, em um Natal de nossa infância, meu irmão e eu vimos o trenó do Papai Noel passeando pela lua da janela do meu quarto. Alucinação coletiva ou fé em seu estado mais bruto?

15- Amo escrever, mas tenho preguiça. Por isso, me atenho a contos e crônicas. Mas estou trabalhando em meu primeiro romance. Me aguardem! 😉
Robbie Jacks

Hoje está sendo um dia para questionar tudo nesse mundo.
No ponto de ônibus, a caminho do trabalho, sou interceptada por um caloroso "olá". Eu conheço esse rapaz desde criança, mas não me lembro de termos trocado mais do que alguns acenos cordiais em todos esses anos cruzando caminhos da vizinhança. Eu não ia nem escrever sobre ele, mas o que aconteceu mais tarde me forçou a incluí-lo neste relato.
Depois de falarmos amenidades, e perguntar sobre minha vida, meu conhecido me contou que era poeta e que o fato de eu tê-lo encontrado num bar fumando e bebendo em pleno sol de meio-dia numa quarta-feira nada tinha a ver com vagabundagem: era poeta, reforçou, e vendia livros usados em banquinhas pela cidade. No momento, estava lixando umas tábuas, intercalando com goles de cerveja, tragadas no cigarro e papos com estranhos conhecidos como eu. Para finalizar a abordagem, me pediu dinheiro, qualquer moedinha e eu, sem saber pra que, por que ou como, dei. Ele é poeta, pensei, e eu apoio as artes.
Meu ônibus chegou e me despedi, levando comigo um pouco da surpresa pelo pedido inusitado, mas também me sentindo um tiquinho extasiada, afinal de contas, havia sido uma quebra inusitada na minha monótona rotina.
Até que desci em Maria da Graça. E avistei um velhinho que se segurava no muro do metrô. Sua perna direita tremia muito, e ele fazia um esforço desajeitado para controlá-la e continuar caminhando. Meu coração doeu, meu foco mudou, meu passo diminuiu e parei defronte dele, atônita. "O senhor precisa de ajuda?". Uma moça parou comigo. "O senhor está passando mal?". Ela me ajudava a questioná-lo.
O senhorzinho falava coisas desconexas, gaguejava, parecia desnorteado. A primeira coisa coesa que falou foi que queria água. Corri para pedir ao moço que vendia suco de laranja, mas ele disse que não tinha. Comprei uma garrafa num ambulante. Ele bebeu e pareceu um pouco melhor. Disse que estava voltando para Rocha Miranda, que sua esposa estava de cama, que havia sofrido um AVC e que estava ali, em Maria da Graça, porque uma pessoa havia lhe prometido R$10 para comprar o café da manhã dos dois, mas não a havia encontrado. Disse que ia para a Uruguaiana pegar o mesmo montante com outra pessoa.
Nesse momento, eu já não distinguia ficção de realidade, pensei no meu pai, meu velho paizinho, e o que pode acontecer com ele na rua, sozinho e confuso. Já não sabia se a história do velhinho fazia sentido, se ele havia sido uma boa pessoa quando moço, se havia feito alguém sofrer, se seus filhos o abandonaram por algum motivo nobre. Todas as histórias dos últimos dias se embolaram na minha cabeça, pensei no maluco que atentou contra a vida da apresentadora, no pai que matou a mulher e a filha, no babaca que roubou a carteira da mulher morta no acidente de trânsito, essas pessoas se juntaram em um só grande monstro, mas só o que eu via era um velhinho que também havia se transformado em todas as vítimas e precisava de ajuda.
Tirei dez reais da minha bolsinha, da mesma bolsinha de onde saíram as moedas que dei com relutância para o meu conhecido, e coloquei no bolso do senhorzinho. Pedi, já com a voz querendo embargar, que ele fosse para casa, pelo amor de Deus. Ele me olhou, com olhos embaçados pela catarata, e me disse "Deus abençoe". Toquei em seu ombro e quase o empurrei, devolvendo o pedido e implorando pra Deus que abençoasse ele ao invés de mim. Me certifiquei de que a menina iria levá-lo até o metrô e vim trabalhar.
Mas não estou conseguindo trabalhar. Estou aqui, pensando no velhinho, querendo saber se ele chegou em casa, ou se está tendo um tratamento digno onde quer que esteja. Pensando se ele terá o que comer e, se não tem, o que deu errado na vida dele para que não tivesse.
Cheguei ao trabalho com lágrimas nos olhos, que desabaram de vez quando encontraram um colo. Estou me sentindo pequena, ridícula, incapaz. A nossa "chef de cuisine" me consolou , dizendo para eu ficar bem porque eu fiz o que poderia ser feito, e que Deus está vendo minha boa ação. Mas eu só consigo pensar: e quem é que está olhando por esse velhinho?
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