Ele achou que valia a pena. Largou a família, os amigos, o emprego chato (mas ainda assim, estável e na área que ele gostava), as partidas de críquete e a terra onde sempre viveu. Apostou todas as suas fichas no amor e na sensação de felicidade que só os sonhos matutinos dos românticos conseguem emanar.
E aqui, na terra do bangue-bangue, do calor de 50º, da pobreza e do Carnaval, ele descobriu que viver de amor é muito mais poético do que prático. O dinheiro era curto, o idioma, um grande obstáculo, a dependência era sufocante e o amor, ué, onde ele foi parar?
Amigos, família e um trabalho que te deixe feliz não são bens que podem ser substituídos com a facilidade de quem troca uma escova de dentes. O amor é lindo e maravilhoso, mas meio burro e bastante etéreo: se perde fácil no meio de contas atrasadas, trabalhos estressantes, pressão nos estudos e ninguém para dividir seus problemas. Quem joga tudo para o alto em nome desse sentimento esquece que a vida é feita de muitos pilares, cujas bases devem ser muito fortes para que, caso uma ou outra se quebre, o prédio inteiro não venha abaixo.
Quem tem um amor, um amor grandão, daqueles que fazem doer, rir e chorar ao mesmo tempo, deve tentar sim ficar junto. Se vai valer a pena, eu sinceramente não sei, pois creio que só pode responder a essa questão quem tentou. O carinha da minha história, ao tomar a decisão, achou que valia a pena. O amor, infelizmente, sofreu demais por muito tempo, tendo uma morte lenta e dolorosa. Ou talvez não esteja de todo morto, apenas congelado em algum laboratório da vida, à espera do soro da Pedra Filosofal, ou do encontro do meio-termo entre as vidas tão diferentes. Mas será que agora, depois de tudo que passou, ele ainda acha que valeu a pena largar tudo por amor? Só ele pode responder...
