Robbie Jacks
Atriz-cantora-modelo-manequim

Sério! Eu cresci recitando esse mantra!!! Passei minha infância inteira repetindo essa ladainha para todas as tias gorduchas e cadernos de perguntas que cismavam em querer saber O que você quer ser quando crescer?. Quando caí na realidade,ou melhor,na adolescência, percebi que nunca tive uma resposta concreta pra essa pergunta,e pior: tinha desenvolvido 2 Robertas: a que eu era e a que eu queria ser.

Meu pai costumava me chamar de “Miss Brasil Ano 2000”. Acho que ele só falava isso porque rimava, já que eu nunca fui uma beldade. Quando o dito-cujo do ano chegou, o ano do bug do milênio, onde a Escultural Roberta assumiria o trono usando seu biquíni de lacinho e faria um discurso emocionado na tv agradecendo ao pai e dizendo o quanto ele a apoiou e misticamente ‘previu’ sua coroação, a Roberta Real nem lembrava mais da brincadeira, e continuava vivendo sua vidinha acima do peso e nem aí pra carreira de modelo. Nessa época, as duas só queriam fazer Publicidade!

Enquanto eu imaginava a Brilhante Roberta nos bastidores de uma badalada revista, ou de um canal de TV para jovens, conversando com celebridades e criando anúncios dignos de condecorações, a Roberta Real estudava pra ser professora! Imposição da mãe,lógico. Sabe quando você rema,rema,rema, e a maré INSISTE em te levar para o lado oposto? Pois é. As duas Robertas tinham um sonho, que morreu na praia. Depois de 3 anos de Normal, 4 de Normal Superior e 4 vestibulares frustrados, nem a Real,nem a Brilhante e Escultural, nem ninguém tinha mais ânimo para sonhar. E se contentaram com a realidade.

Hoje, as duas tentam um meio-termo: a Real faz faculdade de Inglês/Literaturas e promete à Brilhante que, assim que terminar, faz alguma coisa pra satisfazer o ego da coitada. Só não sabe ainda o quê.
Robbie Jacks



Ouvir AQUELA música no rádio, esperar ansiosa o lançamento DAQUELE cd, acampar na fila pra assistir AQUELE show, gritar pela casa inteira ao ganhar AQUELA promoção... é, eu já passei por isso tudo, e digo que valeu MUITO a pena.

Muita gente torce o nariz para essa adoração por artistas, e isso também é normal. Mas só quem sente aquele frio na barriga quando chega perto de um ídolo sabe como é bom gostar assim. Acredito que esses ídolos são nossos primeiros amores, daqueles que a gente projeta tudo de bom que gostaria de ser ou de encontrar num amor de verdade. Admiramos quem admiramos por um sem-número de razões que não precisam fazer sentido pra quem nos observa, só pra gente. E melhor ainda é quando encontramos pessoas que gostam tanto desses ídolos quanto a gente. Aí organizar encontros, procurar artigos freneticamente nas revistas , cantar as músicas em lugares públicos, tentar convencer os seguranças que a gente faz parte da entourage...tudo fica mais divertido!

Gostar assim faz parte de uma inocência que eventualmente vai se perder com o tempo... Felizmente, a vida traz um monte de outras coisas legais pra ocupar esse espaço, coisas “de gente grande”, fazer o quê? A vida segue mas as lembranças das cartas emocionadas, dos choros, dos risos, dos recortes de jornal, das encrencas e dos sonhos no meio de aulas de matemática, isso a gente não esquece nunca, mesmo que hoje em dia nossos ídolos estejam gordos, mortos ou simplesmente sem nariz.
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