Robbie Jacks



Você é a música que eu não posso escutar
A letra que escrevi, mas não tive tempo de cantar
O acorde que nunca aconteceu
A história que a gente nunca viveu

Dói

Sete vezes escrevi seu nome
Mas em nenhuma nasceu canção
A melodia que havia em meus lábios
Caiu, morta, em pedaços, no chão

Reza

Peça aos anjos que cantem por mim
Pois a música que eu mais queria entoar
Nem começou e já encontrou seu fim

Mira

Minha casa está arrumada
Mas faltou a bagunça do coração
Sua chegada, tão sonhada
Entendi, a duras penas, foi em vão

Fala

Qualquer coisa que me ajude a superar
Profetiza
Diz que daqui a pouco não vai doer mais
Que eu não serei mais machucada por qualquer brisa



Solta

Aperta minhas cordas, afrouxa minha emoção
Troca meu disco, muda a estação
A agulha soluça o mesmo trecho baixo
O inverno é tão longo que não sei se há verão

Larga

Sai dos meus ouvidos, sai da minha alma
Desliga o som que pulsa no meu peito
Devolve o ritmo da minha respiração
Você é a música que não quer ser tocada
Contrariada, mas conformada, respeito


Sigo

Muda e surda, rasgada de tudo o que vivi
Pegue sua letra e saia
Não vou acompanhar teu acorde
Sigo só, acapella, mas forte
Um canto solo, não allegro, allegreto
Esperando eternamente um dueto

Dó.







Robbie Jacks


Amor é bom.

Amar é dom.

E eu descobri que não sei amar direito.

Descobri que não sei esperar.

Descobri que não sei me dar pouco.

Eu tenho pressa, mas o tempo passa e me diz “não”. Eu sou fogo, mas a chuva cai e me diz “não”. Eu sou terra, mas o chão cede e me diz “não”.

Pessoas imperfeitas não podem ser felizes?

Não sei. Mas não me importa. Eu só queria saber uma coisa, na verdade:

Eu queria saber amar menos.

Querer menos.

Fantasiar menos.

Ser menos eu.

Ou melhor.

Eu queria que o mundo aceitasse eu. E não tivesse medo de eu. E entendesse que só vai ter minha calmaria quem souber passar pela minha tempestade.

Porque há uma torrente irascível guardada por uma barragem esdrúxula dentro de mim. E ela implode ao menor toque. A correnteza é forte, a contenção é fraca. Tragédia anunciada, daquelas que a gente está acostumado a ver na TV.

Mas ela passa. Tudo passa, na verdade. Inclusive o Tempo. E de nada me adianta ter pressa, me diz. Ele vai continuar no seu ritmo, me pedindo calma, me ensinando a cada tique que não é assim que se faz. Segura um segundo. Medita um minuto. Ora a cada hora. O mundo não vai ter a calma que você espera. Ninguém vai ter a paciência que você precisa. Usa meu tempo pra encontrar em você o tempo de usar suas chaves. Se guarda quando tiver que se guardar, se abre quando tiver que se abrir. Não tranque seu coração, mas também não o deixe escancarado pra qualquer um. Não feche seu pensamento, mas não o deixe vagando por becos escuros. Se guarde, se preserve, se conheça, se ame. Eu, o tempo, sou seu amigo, e esse é o maior aprendizado que eu posso te dar.

Feliz 12 de junho ❤️

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