Robbie Jacks



A #dicadeviagem de hoje é sobre a Hollywood Walk of Fame, ou a Calçada da Fama, como conhecemos. 


A rua onde estão aquelas famosas estrelas dos mais variados artistas fica no centro de Los Angeles, e seu meio fica entre a Hollywood Boulevard e a Vine (aliás, anote: todo mundo se localiza lá pela interseção das ruas, ninguém diz "ah, eu moro na Franklin Av. numero 253". Eles dizem "eu moro na Franklin & Yucca St., ou seja, na esquina mais próxima entre as duas ruas). 
Alright, alright, alright...

Enfim, a Walk of Fame se estende pelo Hollywood Boulevard e, se você quiser percorrê-la, vai dar uma senhora caminhada, que começa na Gower St. e vai até a La Brea Av. São mais de 2.600 estrelas espalhadas em pouco mais de 2 km de comprimento, homenageando tudo quanto é tipo de celebridade (até o Mickey tem uma 😍😍). 






Para não correr o risco de não encontrar a estrela do seu artista favorito, uma boa dica é já anotar o endereço de onde estão as estrelas. Sugiro este link, que facilita muitíssimo a caçada e não te impede de ver o comércio ao redor, que bomba desde muito cedo. Aliás, preciso de um post só pra falar das atrações nessa rua, porque nossa senhora!! 


Aquele crush de 20 anos que jamais superarei

Vim aqui ver se minha cartinha de Hogwarts ficou presa na alfândega

Rei do Pop, da minha vida, da porra toda

Uma curiosidade: embora digam que primeira estrela da Calçada da Fama foi da atriz e vencedora do Oscar Joanne Woodward, a verdade é que as primeiras 8 estrelas foram colocadas na calçada através de um sorteio, e não tiveram nem cerimônia individual. A Woorward foi apenas uma das sortudas sorteadas nessa primeira leva.

No próximo post eu conto tudo sobre as atrações dessa rua: tem uma loja de souvenires MARA, tem palcos legendários, estúdios de gravação de talk shows, museus e muito mais. Me aguardem!
Robbie Jacks

Acordo. Rolo na cama antes de tomar café. Levanto. Vou até a cozinha. A porta não se abre. Melhor assim.
A porta não se abre e ninguém nota. Melhor assim. Quando abre, é guerra. Quando fecha, é paz. Mas também é medo.
Hora da morte: 8h45m. Mas ninguém nota. O ponteiro segue girando, o dia se parte ao meio. Almoço na mesa, ele chega cansado e suado. Bebe água. Esfria a moringa. Come. Joga o corpo na horizontal. A porta não se abre.
Me despeço com um beijo e vou viver. Ele não nota que a porta ainda não abriu. Hora da morte: 8h45m. Mas ninguém sabe.
Morreu como viveu: sozinho e trancado em seu mundo. Quando a porta se abre, o frio do quarto se mistura ao frio da pele cinza e ao frio dos olhos leitosos, vidrados. Nos remetem à frieza de seu desprezo. Esvaneceu o fogo da sua ira, o peito cheio de selvageria e rancor que o inflou até que explodisse, ou melhor, implodisse. Causa mortis: engoliu-se em seu próprio desgosto.
O céu escurece, e a porta não abre. O mistério ainda é inexistente, pois ninguém ainda se deu conta que ele vive no lugar do morto. O dono da porta já não existe mais. Jaz. Mas ninguém nota.
O ser que nos faz falta nos deixou anos atrás. Entramos em luto pela pessoa que ele um dia foi, ontem já não era mais, e hoje voltou a ser, graças ao véu da morte, que tudo perdoa.
Já choramos a saudade da criança alegre, do adolescente engraçado, do adulto talentoso. A alma foi tomada por um mal que deve ter um nome, mas desconhecemos. Ele não quis saber, e não quisemos insistir. Fechou a porta e nos deixou do lado de fora, ele quis assim.
Se fosse pela vontade da porta, ficaria fechada para sempre, encerrando em si seu mais último prisioneiro. Mas, em um último grito de ajuda, seu corpo clamou como pôde pela salvação. Suas angústias, raivas e medos incharam a pele, abrindo fendas em todo o corpo. Toda a escuridão que torturou sua alma por tantos anos finalmente vazou. E ele exalou pela última vez.
Quando a porta se abriu, o tempo parou. Homens estranhos com botas pesadas, andando pra lá e pra cá, desarrumando os dois mundos: o de dentro e o de fora da porta. Miravam sem piedade meus olhos, que de perplexidade, pena e confusão, vagavam pelo cenário. Era essa a conclusão que queriam chegar: para onde olhavam agora? O sofá, os discos, a pia da cozinha. Tudo estava impregnado com as mãos e o cheiro pesado desses estranhos. Era familiar, mas não era da família. Virou cenário do que eles chamaram de tragédia. Para nós, era apenas um fim.
Suspeita. Toda morte é suspeita para quem não estava lá. Todo mundo é suspeito para quem não viu o evento. Todo mundo tem uma teoria. Nós tínhamos uma porta fechada. Até esse texto é suspeito. Não se pode mais imaginar. Tudo é evidência, mesmo que só exista na cabeça preocupada de uma irmã. E o nó vai apertando, vai tentar explicar?
11h20. A porta abre. Graças a Deus. Continuam o frio, o desprezo, a raiva contida. Mas o coração ainda bate. E eu noto.
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