Robbie Jacks


Confesso que recebi com um sorriso no rosto a notícia de que a atriz Paolla Oliveira trocou Joaquim Lopes por outro ator. Não sei se a ex dele, Thais Fersoza, também riu ao receber a notícia, mas acredito que sim. É aquela piscadela do universo que demora, demora, mas um dia chega.

Lá no fundinho, uma situação dessas é o que todos queremos: a completude da vingança, o riso solto, a certeza de que há justiça no mundo e que não sofremos à toa. Aqui se faz, aqui se paga, é o que queremos acreditar. É por isso que vemos novelas, lemos histórias, torcemos para os mocinhos, vibramos quando um bandido é preso. É por isso que, até hoje, sentimos pena da Jennifer Aniston, mesmo ela sendo magra, rica, linda e noiva de um cara magro, rico e lindo. Nem o Brad nem a Angelina se fuderam ainda, então, parece que a novela não acabou. É preciso que a parte ofensora se dê mal, se estrepe, peça pra voltar de joelhos. Aí sim nos sentimos vingados, ou melhor, justiçados. É catártico.

Os defensores do amor livre olham de cara feia para nós, reles mortais. Pregam que ninguém escolhe se apaixonar por outra pessoa, que ninguém rouba ninguém de ninguém, que amor é assim mesmo. Devem ser mais evoluídos do que eu, com certeza. Porque eu só penso na sacanagem que duas pessoas fizeram com outra.

Não, eu não estou por dentro da história. Não sei se o namoro foi bom ou ruim, se o casamento foi forçado ou não. Mas ele a namorou. Pediu-a em casamento. Casaram-se e, na frente de todo mundo que importa pros dois, juraram amor até que a morte os separasse. Entraram num avião rumo a um lugar paradisíaco onde desfrutariam de seu novo status. Voltariam provavelmente para uma casa nova, desembrulhariam os presentes e começariam a dar vida, uso, cheiro e cara ao seu novo lar. Mas ele escolheu fugir de tudo isso, e pior: tomou uma decisão já calçado em outra, planejando com a amante um futuro que não incluiria nada daquilo para o qual havia se preparado. Traiu não só o relacionamento, mas todos os planos que largou com a então esposa. Covarde.

Sobra raiva para a amante também. Se for verdade que a paixão não tem tiro certo, também é verdade que podemos escolher não seguir o coração, não deixar-se seduzir pela tentação. Ora, não somos humanos, racionais e com livre arbítrio? Em tese, podemos tudo: mentir, xingar, roubar, matar, trair. Porém, o que nos impede de pôr em prática um ou mais dos verbos acima é a nossa moral. É ela quem nos dita, mais do que a Bíblia, a não cobiçar o que é do próximo. O carinha é culpado de ter traído? Óbvio! Tá feio, ta escroto. Mas ela também tem responsabilidade, pois escolheu se meter no meio de uma história que já estava andando. Se não tivesse cativado, ou se deixado cativar, ele poderia mesmo assim pular a cerca, mas com outra pessoa. E essa pessoa que lidasse com o carma no final das contas. O que que custa jogar limpo com o parceiro? Não tá afim, vai embora, termina, não casa. Mas não traia!

Agora, com a notícia de que a Paolla fez o que já sabemos que a Paolla sabe fazer, nos sentimos completos. Mesmo com a Thais já casada (e feliz, espero), estava faltando o gostinho daquele prato que se come frio e, de preferência, sangrando. Mesmo que cinco anos tenham se passado, mesmo que a Thais já nem pense mais no cara, mesmo que a maior vingança dela tenha sido voltar a ser feliz, sempre falta o bandido se dar mal no final. Sou e serei sempre team Grazi, team Scheila, team Aniston, team Calabresa (apesar dela ter lidado escrotamente com a situação).


E agora que ele já pagou pelo seu “crime” e voltou a ter ficha limpa, ele pode catar seus caquinhos, recomeçar e ser feliz de verdade. Mas, por enquanto, espero que esteja doendo bastante, viu, Joaquim? Bem feito.
Robbie Jacks



Eu= sujeito simples.
Amo= verbo transitivo direto
Você= objeto direto

E, no entanto, é tão difícil compreender as implicações contidas neste período...

Entre o “eu” e o “você” há muito mais do que um verbo. Há uma vida, um laço, um compromisso indelével que, muitas vezes, não quer dizer coisa nenhuma. Mas eu divago.

As pessoas dizem “eu te amo” por um infinito de razões, e me pus a pensar o porquê disto.

“Eu te amo” porque você me faz bem.
“Eu te amo” porque não apareceu ninguém melhor do que você. Ainda.
“Eu te amo” porque você é lindo/rico/sarado/bom de cama, ou qualquer adjetivo fútil que se encaixe aqui.
“Eu te amo” porque não sei o que é amar, mas deve ser isso aqui.
“Eu te amo”, mas vou ali pular a cerca e já volto.
“Eu te amo”, mas não quero cuidar de você.
“Eu te amo” mas, na verdade, não amo, pois, se amasse, não estava te deixando.
“Eu te amo”, mas só daqui a dez anos.
“Eu te amo” porque já passei por um milhão de coisas ruins, e esse é o melhor relacionamento que já tive.
“Eu te amo”, mas não podemos ficar juntos, porque meu pai é um Mezenga, seu pai é um Berdinazzo e nós vamos morrer no Vale a Pena Ver de Novo.

Foi-se o tempo em que eu sonhava com um amor de cinema. Não um amor perfeito, porque os do cinema não são perfeitos, muito pelo contrário: os mocinhos começam atrapalhados, engatam o relacionamento e logo um dos dois faz merda. Aí rola um chororô pra cá, uns bons drinks pra lá, e quando parece que nada vai dar certo, uma puta coincidência aparece, e os dois reatam, felizes para sempre até os créditos finais.

Este foi um dos primeiros sonhos que tive massacrados. Meu criador nunca me escreveu numa “feliz coincidência” do destino. Minhas histórias terminam sempre no chororô pra cá, e nos bons drinks também pra cá. E depois mudam meu coadjuvante, mas o enredo é sempre o mesmo, o desfecho é sempre trágico. Talvez eu esteja assistindo ao gênero errado...

Nessas histórias, todos os “eu te amo” que ouvi parecem ter saído de um script. Ocos e superficiais. Uma vez, cheguei a ser chamada repetidamente de “amor” enquanto o sujeito admitia que só gostava um tiquinho de mim. Esquizofrenia, a gente vê por aqui.

Não vou dizer que eu também não tenha usado essas três palavrinhas em vão. Já disse “eu te amo” no calor de um momento. Já jurei amar alguém para não magoar a pessoa. Já amei e desamei com igual rapidez. Olhando para trás, nem sei te dizer se amei mesmo alguém.

Meu primeiro “eu te amo” saiu quase como um vômito. Já havia tido outros namorados, já havia ouvido outros “eu te amo”, mas, de mim, nunca havia saído algo parecido. Eu não sabia o que aquilo significava, o que comia, onde vivia. Só tinha amado de verdade, e muito profundamente, a minha mãe, e havia acabado de perdê-la.

Foi em circunstâncias parecidas que proferi as três palavras pela primeira vez.
Esse namoro foi diferente de todos os anteriores. Me tirou da zona de conforto, me fez conhecer um milhão de lugares, um milhão de pessoas. Pela primeira vez, eu estava completamente fora de mim, entregue para o outro. Queria agradá-lo, mimá-lo, ficar bonita para ele. Mas não vivíamos em um conto de fadas, e eu sentia o fim próximo. Assim, depois de um dia murcho, com a tensão fria e cortante pairando no ar, soltei as três palavras. Foi uma surpresa para nós dois. Em cinco meses de namoro, havia carinho, havia bom humor e companheirismo, mas nunca achei que houvesse amor. A impetuosidade da boca foi paga pelos olhos, que derramaram um turbilhão de lágrimas. Aliás, preciso dizer que, desde este dia, nunca mais parei de chorar por esse tal de “amor”.   


Que tipo de amor eu quero? Quero um “eu amo você” onde o “amo” seja sempre a ponte entre eu e você, que nos liga, nos aproxima, nos faz cruzá-la dia e noite. Onde o “amo” seja o elo que nos ligue ao mundo, que nos faça mais forte para enfrentá-lo. Onde o amor seja sempre um verbo ativo, companheiro, transitivo direto a mim (que me perdoe Mário de Andrade), impenetrável a terceiros, compartilhável com nossos filhos e multiplicador de anos de felicidade. Desejo, do fundo do meu coração, um "eu amo você" para a vida toda.
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