Robbie Jacks




Eu tenho um sério problema quando vejo alguém dizer que a felicidade na internet é algo falso. Por que haveria de ser? No momento da foto, há felicidade, mesmo quando esta não dura o dia inteiro.

Estou cansada de ouvir frases como "saí do Facebook para ser feliz" ou "gente que é feliz de verdade não posta". Não acredito em nenhuma das duas hipóteses. Quem é feliz quer mostrar, sim, que está feliz, e quem está no Facebook não é, necessariamente, infeliz, ou desesperado por atenção.

O problema não é de quem posta a foto, e sim de quem olha. Quando estamos amargurados, a felicidade dos outros incomoda, e passamos a olhá-la com desconfiança. Repare: quando você está feliz, te incomoda se seu vizinho está sorrindo? Claro que não! Gente feliz não se incomoda com a felicidade alheia! 

Eu mesma tenho esse problema constantemente. Se eu estiver em um dia ruim, vou olhar com desdém toda a felicidade da minha timeline. Geez, se eu estiver em um dia ruim, vou amaldiçoar toda e qualquer felicidade, esteja onde estiver! Sabe aqueles dias em que você reza pra chover só para ter do que reclamar, mas faz um sol lindo e te dá mais raiva ainda? O tipo de pessoa que está sempre agourando a vida dos outros deve ter uma nuvem negra constante acima da cabeça, pingando no cocoruto que nem tortura chinesa. É o cúmulo, Nimbus!

Uma das saídas que eu, você e seu vizinho encontram para sair desse buraco é postar uma foto de alguma coisa que capture 1 segundo de felicidade em 24 horas de miséria. Estamos errados? Claro que não! Estou apenas tentando sobreviver por aquele dia.

Isso me leva a outra frase que me incomoda: "ninguém é tão feliz quanto posta no Facebook". Gente, como não? Eu não sou escandalosamente feliz o dia inteiro, mas aquela foto espontânea, de sorriso largo, é verdadeira. Ele fez cócegas, eu ri, saiu a foto. Fim. Se depois eu chorei, ou sorri de novo, não importa: o importante é que emoções eu vivi. E registrei. E compartilhei com você. Se não gostou, problema é seu. Vai procurar o lado bom da sua vida e posta pra mim. Se eu estiver num dia bom, juro que vou curtir.

Então, gente, antes de julgarem que tudo é falso e que a felicidade não existe, pensem! A felicidade existe, sim. Pode não existir na vida de vocês neste momento, mas ela existe. E não está em lugar nenhum além de dentro de vocês. É o SEU ponto de vista que torna um dia feliz ou uma sucessão de tristezas. Não sei como fazer para ajudar vocês a encontrar essa felicidade, porque nem eu sei como acho a minha. Só sei que, um dia, acordo e ouço uma música que me deixa feliz. Ou tomo um banho quente num dia frio e me sinto mais relaxada. Ou vejo minha série preferida. Ou como pipoca. Ou danço sozinha pela casa. Tudo o que eu preciso está dentro de mim. Só tenho que olhar por cima do vazio e ter forças para tirar o que preciso. Não é fácil. 

Às vezes, quando canso de procurar e não encontrar, volto ao meu álbum de fotos virtual, e lembro dos dias em que a felicidade esteve aqui comigo. Releio comentários, e penso nos amigos que fiz, no momento que tive a sorte de capturar. Só assim para não perder as esperanças de que, um dia, a felicidade vai voltar.
Robbie Jacks


Ela era loura, magra, unhas feitas, jeans e babylook. Aparentava estar perto dos 40, mas não escondia sua idade atrás de quilos de maquiagem. Voltando de metrô para casa, depois de um longo dia de trabalho; talvez saindo de casa para o trabalho, àquela hora da noite, ou qualquer outra possibilidade que caiba aí no meio. Não sei. Sentada à minha frente, no banco reservado para "idosos, gestantes e pessoas com crianças de colo", como aquela voz chata insiste em lembrar, era uma moça comum, exceto por uma pequena parte de sua alma que transbordava pelos olhos: estava chorando.

As lágrimas começaram discretas. Sempre de olhos fechados, a moça, com o cenho franzido, parecia concentrar-se em algo muito importante que acontecia lá dentro dela. De repente, uma lágrima escapou pelos claros cílios do olho direito. Diante da incapacidade de controlá-la, a moça pareceu desabar por completo. 

Peguei-a, ainda seca, na estação Carioca. Na Central, sua blusa já aparava os pingos de uma torrente que parecia não ter fim. Até os passageiros mais distraídos, com seus joguinhos de celular e fones de ouvido, já tinham percebido a aflição da moça, e nos entreolhávamos com o mesmo ponto de interrogação na testa: o que fazer?

Nada, foi o que fizemos. Aquela moça estava tão dentro dela mesma que, durante todo o percurso, permaneceu de olhos fechados. Parava, respirava, tentava se recompor enxugando as lágrimas, mas logo caíam outras. Nem quando o metrô deu um solavanco forte e um engraçadinho soltou a clássica "o motorista ajeitou a lata de sardinha!": nem assim ela abriu os olhos. 

Se abrisse, me veria, de pé, bolsa a tiracolo, fones no ouvido, ignorando completamente a música e olhando-a com tristeza. A minha curiosidade fora substituída por lembranças de quando eu mesma, ignorando o mundo à volta, debulhava minhas próprias angústias em ônibus, metrôs, no banco de trás do táxi, no meio da rua. Sempre a mesma sensação de desespero, como se a dor não pudesse esperar um banheiro, um ombro, minha casa: as lágrimas vinham quentes, sofridas, abundantes, sem se importar com a maquiagem ou os estranhos olhando. É a angústia mais solitária que se pode sentir.

Ela devia estar ansiosa para chegar ao seu destino e resolver seu problema, ou ouvir uma palavra amiga, ou apenas chorar mais um pouco no colo daqueles que ama. Sei bem como é isso. Saltei em Del Castilho e deixei-a lá, encharcada pelos seus pensamentos, e senti um pequeno alívio no peito por saber que, pelo menos hoje, não é a minha vez. 
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