Robbie Jacks

2009 definitivamente não foi meu ano. Sempre que ouvia as pessoas falando de sofrer de "estresse", achava que era frescura, uma hipérbole. Quem, afinal, poderia sentir dor de verdade por algo que se passa na mente?
Pois eu mordi a língua. E, como se não bastasse a agonia que morder a língua causa, outras partes do corpo resolveram se manifestar de maneira (muito) dolorosa . Mas, por incrível que pareça, uma perna quebrada, várias crises de gastrite e duas cirurgias não foram o "fundo do poço" do meu ano. Foi o estresse. Essa bendita palavra que abriga milhões de causas foi a responsável por fazer com que 2009 seja lembrado por mim como o "Ano Em Que Não Vivi".
O estresse de aulas e trabalho me custou noites em claro, me fez brigar com a família, me deixou ansiosa, levou meu namorado para longe. 2009 foi um ano em que nem reza braba adiantou. Apelei para santos e babalorixás, unguentos e homeopatia, e de nada adiantou. Todos os dias havia uma nova pedra no caminho. E todas as noites dormi cansada de carregá-las.
Se nossa civilização não contasse seu tempo através de anos, confesso que estaria muito deprimida. 2009 me testou, me maltratou, judiou de mim, e não me sinto mais forte, nem mais inteligente. Se a vida fosse apenas um contínuo de sóis e luas, sem marcações de tempo, poderia jurar que este inferno em que me encontro é para sempre. Felizmente, os 31 de dezembro sempre trazem algo de mágico, de místico. Mal posso esperar para colocar minha roupa branca, rasgar em pedacinhos o calendário de 2009 e, de braços abertos, saudar aquele que, espero eu, seja o meu ano!
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Robbie Jacks



Que nós vivemos em sociedade, é óbvio. Que toda sociedade tem suas regras, também não preciso dizer. Regras de trânsito, de gramática, de trabalho, de saudação e até de fila de supermercado: nos entendemos através dessas práticas sociais comuns a todos. Se fôssemos todos guiados pelo bloco do "my world, my rules", voltaríamos ao tempo das cavernas.

De vez em quando surge alguém que cisma em "quebrar" essas regras. Senta no lugar destinado para os velhinhos, fura a fila no caixa do banco, dá tapinhas brincalhões no ombro do chefe esnobe ou, como no caso da Geisy, usa roupas inapropriadas para um ambiente acadêmico.

Não venha me perguntar se eu condeno a atitude da menina. Como todos os estudantes naquele fatídico dia, acredito sim que ela não se vestiu da maneira adequada para uma sala de aula. Ao mesmo tempo, a reação dos estudantes foi exagerada e desnecessária, como se dissessem: "desse mal eu não sofro"!

Bom senso não dói. Infelizmente, é uma virtude que não se acha em farmácia, nem em cadeira de universidade. Geisy deveria ter pensado antes de colocar aquela roupa e afrontar a moral da instituição (e a sua). Mas seus colegas de classe também deveriam ter pensado antes de criarem um tumulto que sujou muito mais o nome de sua universidade do que qualquer vestidinho rosa seria capaz.
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