
Desde pequenos, ouvimos a mamãe e as professoras contando histórias maravilhosas, passadas em reinos distantes, onde o bem sofre o diabo mas, no fim, acaba vencendo o mal. Sabemos que são só histórias e que a realidade pode ser cruel e dar a vitória ao mal, mas aprendemos com a vida que nada é tão simples quanto os contos nos faziam acreditar.
Essa história de cotas nas universidades públicas é a mesma carochinha: têm-se, de um lado, o oprimido e, do outro, o mal soberano, rindo da desgraça do outro. E o que se faz com tamanha injustiça? Oras, devemos dar oportunidades para os coitadinhos do bem: ABRAM-SE OS PORTÕES DA UNIVERSIDADE PÚBLICA MÁGICA!!!
Acontece que a universidade não é mágica, e quem está dentro não é mau nem soberano. Quantos anos aqueles alunos ficaram debruçados nos livros, tentando decorar cada matéria para o vestibular? Quantos deles não trabalharam, ou fizeram os pais trabalharem mais, para pagar cursinhos e aulas particulares? E de repente chega alguém que, por não ter tido tanta "sorte" quanto ele, ocupa sua vaga? Isso é justiça ou preconceito camuflado?
Já está na hora de deixar a desculpa da escravidão, da pobreza, da falta de oportunidades e da raça de lado. Tentar suprir a carência de toda uma vida escolar com essa política de Robin Hood é desrespeitar quem ralou para estar ali e subestimar a inteligência do próprio contemplado. Sabe-se muito bem que uma vaga para entrar não garante o emprego no final, e nem a melhoria de vida. Porque entrar é o menor dos problemas. O resto da sua vida depende do quanto você se esforça dentro da faculdade. E não há cota nenhuma que garanta um bom desempenho.
Minha melhor amiga na faculdade entrou por meio de cota. Nós duas somos pardas. Quase que eu fiquei de fora por conta disso. Se o destino tivesse sido só um pouquinho diferente, hoje poderíamos ser inimigas mortais :-)

