Por incrível que pareça, ser trocado por um homem é um dos meus pesadelos mais recorrentes. Porquê? Ora, pense na humilhação que deve ser ouvir seu namorado dizer que o que você tem não é o que lhe satisfaz, e o bonitinho só descobriu isso depois de TE namorar!! Morra, Phulano.
Ser trocada por outra é Über chato também, mas é o tipo de situação em que você pode se consolar, dizendo que ele te trocou por uma qualquer, e que ela é mais feia, mais gorda, mais vesga, mais burra e por aí vai. Agora, ao ser trocado por um homem você vai dizer o quê? Que o outro é mais peludo, mais macho, mais sem-educação e mais musculoso? E o que a gente diz pro pai quando chegarmos chorando em casa? Que o namô provou e não gostou da fruta, da SUA fruta? Vergonha, tristeza e choque. Não troco figurinha, não fico amiguinha, e também me recuso a armar um barraco. Simplesmente viro as costas e desejo, de todo o coração (ferido e quebrado), que eles virem purpurina.
Sou o tipo de pessoa que mais pensa do que faz, ou mais faz e pensa que não faz. Fez sentido? Não? Vou tentar explicar usando o carnaval, aproveitando o clima:
Amo carnaval. Adoro ver o pessoal suando, dançando, a passista sambando, o gringo babando, a escola passando, a bateria tocando. Acho lindo, colorido e sobe até um calorzinho pelas veias quando vejo minha Mocidade na avenida. Agora, me pergunta se eu gosto de assistir ao vivo? Detesto muvuca, gente suando em mim, passista se amostrando do meu lado, gringo babando do outro, aquele calor lazarento e o cheiro de suor. Fora que, na hora que enche o saco e quero ir embora, tenho que enfrentar o trânsito infernal do Centro até minha casa, com mais gente suada e fedida, fora os bêbados e as senhoras gentis que gostam de falar alto e cuspindo na cara dos outros.
Assim é minha visão sobre as diversões da vida: muitas vezes, acho mais legal a IDÉIA de fazer alguma coisa do que fazer a coisa em si. Massss, como idéias não geram memórias (nem fotos, nem estreitam laços com amigos, amantes, pais e irmãos), acabo saindo e, para minha não-mais-surpresa, me divirto muito. No entanto, gostaria muito de, na hora que o programa enche o saco (e, acredite, não demora muito), poder me teletransportar pro meu quarto. Um dia ainda invento essa máquina.