Quando eu era criança, Ele era o Big Brother, o que via tudo e me castigaria quando me visse bebendo água no gargalo, ou roubando chocolate do meu irmão. Na adolescência, influenciada pela mística que envolvia a minha supermãe e as coisas que ela via e sentia, Deus era um cara “porreta” pra mim: atrasava o ônibus quando eu me atrasava pra sair de casa, me ajudava nas provas bimestrais, conversava comigo todas as noites e me dava conselhos, embora nunca tenha me dado os meninos que eu pedia...
Depois da morte da minha mãe, Deus virou uma fumacinha... não que eu tenha ficado tão desolada a ponto de perder a fé, mas hoje acredito muito mais Nela do que Nele. Espíritos, Deus, reencarnação, não sei mais qual a minha posição sobre esses assuntos. Até me pergunto se algum dia tive uma opinião. Acho que o que eu tinha antigamente era um sentimento cego, uma confiança extrema de que tudo ia ficar bem. E a fé é assim mesmo, independente do que você acredita. Hoje, embora não saiba onde minha mãe está, continuo confiando nela com toda as minhas forças. E quando fecho os olhos, sei que tudo vai ficar bem, aconteça o que acontecer.
