Robbie Jacks

Carnaval 2007. Praia de Copacabana. Cansada de ouvir o nojento “sssssssssssss” quando passa na rua com um decotinho mais assanhado, Robertinha descobriu a solução: sua mais “recente-adquirida” blusa, de um verde e vermelho “Merry Christmas”, que continha as seguintes palavras: SINGLE TODAY. Brilhante,não? Quer mensagem mais seletiva que essa?
Primeiro corte: as cores (natalinas) e o formato (hip-ponga) não eram lá muito agradáveis aos olhos masculinos destreinados. Logo pedreiros, mecânicos, ambulantes e sem-teto estavam visualmente desestimulados a comentar gracinhas.
Segundo corte: embora nós,tupiniquins, estejamos acostumados com palavras como “sexy”, “baby”, ”hot”, “beach girl” (a vulgar “bitch”) e afins, a expressão “single today”, que ao pé da letra significa “solteira hoje”, é relativamente nova pra nós! Então posso dizer que, nesse dia ensolarado de fevereiro me senti como “O Alfaiate Valente”, aquele que “fez” uma roupa transparente pro rei e dizia que só os inteligentes a podiam ver: a minha blusa “JingleBells”, sem decotes nem marcações, peneirou os interessados, chamando a atenção apenas de pessoas com um pouquinho mais de cultura, que entendiam o significado da frase.
Propus um jogo difícil, de pensamento rápido: o carinha tinha que ler a frase, processar o significado na mente, olhar pro meu rosto (pra ver se mereço estar ‘sozinha hoje’), avaliar se valia ou não à pena fazer algum comentário e criar uma piadinha espirituosa na bucha, tudo isso em menos de 10 segundos, ou antes que eu passasse reto por ele, sem nem olhá-lo.
Se minha tática deu certo? Bom, vamos dizer que minha blusinha, embora tenha se tornado um trunfo contra a ignorância da raça masculina, está pendurada no armário, e parece que vai ficar por lá por um looongo tempo...
Robbie Jacks

“Vai,vai embora mesmo, você não é nada pra mim,garota. Toma aqui essa coleção ridícula desse boiola do Paul McCartney e aproveita e leva esse monte de cartinha, fotinhos, que já estão me dando nojo! Eu era muito mais feliz antes de te conhecer!"
Assim que ela bateu a porta, chorando incontrolavelmente, ele sentiu um alívio. SOLTEIRO!SOLTEIRO! Chega de perder as viagens com os amigos, de combos vídeo-pipoca em plena sexta à noite, de almoços entediantes na casa da sogra sorridente.LIBERDADE, como eu te amo!!

Sua primeira providência foi ligar para os ‘manos’: “Tô na pista,véio! É pegar até cansar,brow!!!!

E assim ele foi. Dia de micareta, foi armado com o melhor dos aromatizantes bucais: balinhas de hortelã. E o que se viu na festa só se compara a um Katrina em menores proporções: pegou uma,duas,três,dez,quinze, perdeu a conta e continuou pegando. Só parava pra se gabar pros amigos e tomar umas geladas. Música? Nem percebeu que estava tocando. Mas uma coisa ele percebeu: ela, ali, com as amigas, levando uma cantada de um sem-vergonha qualquer. Nessa hora, bateu uma tristeza misturada com raiva, uma vontade de chorar quando se lembrou dos telefonemas apaixonados, dos passeios, da primeira vez dos dois, da vida que partilharam, e uma vontade de explodir e esmurrar a cara daquele infeliz...

Ela também o viu. Sem poder disfarçar sua tristeza, começou a chorar ali mesmo, e virou o rosto tentando se esconder. Ele, ao também se perceber vulnerável no meio dos amigos do peito e da primeira menina que amou de verdade, fez o que todo homem (que se diz homem) em sua situação faria: agarrou e beijou furiosamente a primeira garota que passou.

Você pensou que seria diferente?
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